Comportamento de chimpanzés surpreende pesquisadores na África

de um projeto que visa diminuir a degradação ambiental no local, avistaram um grupo de chimpanzés utilizando objetos que eles próprios confeccionaram. Segundo os responsáveis pelas pesquisas, os animais estariam bebendo água nos artefatos produzidos. Todas as informações só vieram à tona por meio do modo adotado para a observação da região, conforme explica uma matéria publicada pela BBC voltada para o público brasileiro.

A equipe do projeto intitulado de Compõe Chimpamzee Conservation Project dispôs, ao longo de determinado trecho de floresta, algumas câmeras de funcionamento automático. Por meio delas, pôde-se perceber a forma como estes animais desenvolvem tais ferramentas. Segundo os observadores, galhos bastante finos foram os escolhidos na hora da feitura dos utensílios. As pontas dos gravetos foram mastigadas pelos chimpanzés de maneira a tornarem-se algo parecido com um pincel, absorvendo líquidos como a água.

A conclusão a que os cientistas chegaram, foi a de que houve intencionalidade no ato da produção dos objetos, tratando-se de mecanismos que auxiliariam os animais no momento que sentissem sede, uma vez que poderiam obter e consumir o líquido crucial para sua sobrevivência. O episódio rendeu uma publicação na American Journal of Primatology, revista cujo conteúdo abrange assuntos exclusivos sobre os primatas.

Líder do projeto no continente africano, o pesquisador Juan Lapuente estabeleceu uma comparação com outro acontecimento envolvendo os chimpanzés. De acordo com a publicação, ele afirmou que os animais já foram flagrados praticando algo semelhante, mas com o intuito de se vasculhar colmeias atrás de mel para se alimentarem. E ainda citou que a região onde realizou suas observações anteriores foi justamente a África.

A sofisticação dos objetos produzidos causou perplexidade nos cientistas, que realizaram diversos testes com o que foi descoberto. Para eles, os utensílios destinados à captura do mel eram ligeiramente diferentes daqueles cuja produção objetivava a obtenção de água. Por serem feitos em formato maus alongado, estes últimos davam aos chimpanzés uma grande possibilidade de atingirem seus objetivos na hora da sede. Através da entrevista, Lapuente anunciou tratar-se de um feito jamais visto por qualquer outro estudioso no assunto, pela finalidade atribuída aos objetos.

O cientista apontou que o acontecimento é, para a ciência, uma prova de que os animais dessa espécie obtiveram um importante meio de se adaptarem aos revezes da natureza que, vez por outra assolam o Parque Nacional de Comoe. Ele destacou também que, com pontas alongadas, as chances desses primatas conseguirem a tão escassa água são maiores, daí o caráter evolutivo e a importante contribuição científica sobre o que foi estudado na região.

Lapuente reforçou a informação de que tal espécie encontra-se em extinção e que o fato indica que os indivíduos do grupo adotaram um tipo de comportamento conhecido como “cultura de bebida”. Como a própria expressão sugere, o cientista explicou esse forma de atitude coletiva é um meio que os animais encontram de conseguirem sobreviver a episódios de seca extrema e prolongada. A novidade ilustra, portanto, a evolução dos primatas frente ao ambiente por vezes hostil que o continente apresenta na atualidade.

 

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