Pequenas partículas de contaminação podem chegar até o coração

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As nanopartículas de poluentes presentes diariamente nas cidades, podem viajar para o fornecimento de sangue e contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, de acordo com pesquisa patrocinada pela British Heart Foundation (BHF) e divulgado pela revista científica ACS Nano.

Nesse estudo, 14 pessoas saudáveis e 12 pacientes cirúrgicos inalaram de forma voluntária nanopartículas de ouro (até 1000 vezes menores que a espessura de um cabelo humano). Vestígios de metais, facilmente detectáveis, apareceram em menos de 24 horas na urina e no sangue dos voluntários e manteve-se até três meses após a exposição inicial.

“O que nós descobrimos nos permite sugerir que as partículas ultrafinas, provenientes da queima de combustível que se acumulam no ar das cidades, as nanopartículas podem seguir o mesmo caminho”, disse o professor Mark Miller, da Universidade de Edimburgo, diretor científico da investigação. “Uma vez que a nanopartícula atingir a corrente sanguínea, elas podem se acumular nas lesões vasculares e em pontos sensíveis”, disse Miller ao The Times.

“O ouro usado no experimento não foi ativado, mas as partículas no ar poluído são ativadas no corpo, e se elas atingem essas áreas sensíveis, as consequências pra saúde podem ser graves”. “As nanopartículas podem se acumular nos vasos sanguíneos e em certas partes do corpo”, disse David Newby, co-autor do estudo. “Até agora, a atenção centrou-se sobre os efeitos das partículas em suspensão, principalmente no sistema respiratório, onde os efeitos das nanopartículas sobre o sistema cardiovascular podem ser potencialmente mais perigoso”.

Dr. Jeremy Pearson, diretor da British Heart Foundation, disse que a pesquisa é “um passo mais perto de resolver o mistério de como a poluição prejudica a nossa saúde cardiovascular”. Ele estima que a poluição do ar é responsável por 40.000 mortes prematuras no Reino Unido, e 80% estão associados com doenças cardíacas.“Não há dúvida de que a poluição atmosférica é um grande assassino”, disse Pearson. “Mas são necessárias mais pesquisas para consolidar as evidências. Enquanto isso, o Governo deve implementar medidas ousadas para proteger a população”.

O estudo apoiado pela BHF tem causado controvérsia no Reino Unido e ganhou um anátema para cientistas como Peter Dobson, da Universidade de Oxford, que sustenta que a experiência é de “relevância mínima” para o mundo real e critica pesquisadores que usaram nanopartículas de ouro em seres humanos, alegando que eles não são inofensivas, mas potencialmente “tóxicas” em nível celular.

A pesquisa também vem em um momento de grande tensão política. Por decisão judicial, e depois de perder a ação movida pela organização ClientEarth, o governo britânico foi obrigado a apresentar no final de abril uma nova Lei do Ar Limpo. A convocação de eleições para 8 de Junho agora pode forçar um novo adiamento.

O Secretário do Meio Ambiente, Andrea Leadsom, cético da mudança climática até há alguns meses, baixou as expectativas da nova lei alegando que a contaminação não pode ser considerada como uma “emergência de saúde pública”. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, que sofre de asma desde a infância pelo ar poluído do sul do Tâmisa, instou o Governo do Theresa May para “parar de arrastar seus pés e implementar um plano para resolver esta crise de saúde pública para sempre”.

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